MARIA DAS DORES BATISTA SENA
MARIA DE FATIMA PEREIRA DE SOUSA
NEUSA ALMEIDA COSTA
NICIA MARIA DOARTE DE SOUZA
ROSEMEIRE ALMEIDA COSTA
SILVIA GOUVEIA SANTOS
Relatório apresentado para fins de avaliação parcial da disciplina Tecnologia Aplicada na Educação, do Curso de pedagogia da Faculdade da Cidade do Salvador, sob a orientação da Prof.ª. Tereza Cristina Oliveira.
1- Concepção de infância no processo histórico
As mais diversas concepções de infância permearam o atendimento á criança, tanto no grupo familiar como nas instituições formalmente criadas para tal.
Segundo Ghiraldelli (1996, p.9), os estudos referentes á infância, que se situam aproximadamente entre os séculos XVI a XVII, têm por base, essencialmente, os pensadores Rousseau e Montaigne, vistos pelo autor como importantes coautores das noções de infância e da pedagogia moderna.
Naquela época, a compreensão que se tinha de infância era a de um período de transição para a fase adulta, ou seja, a criança ara vista como um ser em miniatura, e algumas vivencia típicas da fase adulta eram antecipadas, contribuindo para a ultrapassagem mais rápida do período em que se encontrava.
Mais tarde, essa visão cedeu lugar aquela em que a infância significava um momento que exigia cuidados e atenção para que a criança viesse a se tornar um adulto honrado e útil socialmente. Tratava-se de protegê-la das más influências do meio e preservar-lhe a inocência. Subjaz a essa visão que a criança é um ser em preparação, num estado de vire-a ser, ou uma criança destruída de direitos na qualidade de um sujeito social.
Outra ideia difundida foi a de uma criança universal, que traduzia uma criança abstrata, um padrão ideal. Nessa perspectiva, o trato com a infância constituía-se em buscar esse modelo, tido como desejável. O não enquadramento ou a distancia dele impunham praticas compensatórias, que objetivavam suprir supostas carências, acabando por reforçar a discriminação.
Atualmente as leis vigentes no Brasil reforçam a concepção de criança, como um ser atuante e de direitos, tais como, a Constituição Brasileira, artigo 205, e a LDB, artigo 2º. Hoje, portanto, a compreensão que se tem da criança é a de um ser histórico e culturalmente contextualizado, cuja diversidade, seja biológica, cultural ou cognitiva, precisa ser considerada e respeitada. Um sujeito com identidade própria, em processo de desenvolvimento em todas as dimensões humanas: Afetiva, social, cognitiva, psicológica, motora, lúdica ou expressiva.
Ou seja, conforme Arroyo (1994, p.6), compreender que cada idade tem a sua própria identidade, e isso exige uma educação especifica para esse período, e não um preparo para a outra idade.
Uma concepção de infância assim assumida requer pensar nessa criança considerando seu desenvolvimento integral.
Numa visão VYgotskiana, quando nasce, a criança entra imediatamente em contato com um mundo repleto de representações simbólicas. Para que possa internalizar os conteúdos sociais produzidos pela humanidade, a criança depende de mediação do adulto, ou seja, do processo de interação com o outro e da realização de experiências significativas,
Nesse processo as atividades são partilhadas, internalizadas e resinificadas.
Com o domínio da linguagem, a criança passa a interagir mais ativamente com aqueles que a cercam. Por meio da linguagem, as aprendizagens mais significativas acontecem, pois ocorre a associação entre o pensamento e a linguagem, essencial ás atividades especificamente humanas.
A percepção e a apreensão desses significados passam a constituir a consciência, que se modifica á medida que novo e significados são internalizados, em novas interações. Assim, o desenvolvimento da capacidade de pensar se dá do plano externo para o interno. Conforme Vygotsky (1998ª p.75)
Todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: Primeiro, no nível social, e,depois, no nível individual; primeiro, entre pessoas ( interpsicológica), e ,depois, no interior da criança (intrapsicológica).Isso se aplica igualmente para a atenção voluntária, para a memória lógica e para a formação de conceitos.
Todas as funções superiores originam-se das relações reais entre indivíduos humanos.
No plano externo, pelo contato da criança com outro individuo mais experiente, os significados são partilhados por meio das mediações simbólicas (falam gestos, desenhos).
No plano interno, as informações recebidas são internalizadas e transformadas de acordo com as informações que a criança já possui e com seu contexto interativo, ou seja, com as experiências já realizadas no meio social e as estratégicas usadas pelo outro, alguém experiente para interferir nesse processo de aprendizagem. Assim, pode-se concluir que a criança aprende na relação, socialização-individualização.
Para que essa aprendizagem ocorre de forma satisfatória, seu tempo precisa ser respeitado “o tempo necessário para que a criança possa realizar uma atividade” por inteiro; considerando inclusive as idas e vindas, com repetir uma, duas, três vezes o mesmo movimento ate conseguir o que pretende (Lima, 2001, p.15). E por outro lado a de considerar também o espaço que é disponibilizado.
2- Justificativa
A realização deste relatório deve-se a preocupação de repensar na formação do professor e a necessidade e aquisição de novas competências e habilidades para atuar na formação do cidadão capaz de aprender a aprender, através de um ensino de qualidade, fruto da participação não só da família, da escola e da sociedade, mas, sobretudo, das políticas publicas do estado. A ratificação desta razão dá –se através de pesquisas feitas delimitado ao objeto de estudo, fontes bibliográficas e dados coletados.
Para obtenção dos dados utilizou-se de observação, leituras e análises fílmicas e site pesquisados, diálogos entre os componentes do grupo,leitura e estudos de vários teóricos relacionados ao tema em estudo, alem da aquisição de informações sobre a incorporação das tecnologias da comunicação e da informação na escola e aplicação de novas abordagem de ensino e estratégias pedagógicas influenciam um paradigma educacional atual.
Pretende-se com este relatório criar estratégias e possibilidades de mudanças nos espaços educacionais metodológicas e aperfeiçoamento de posturas necessárias á aprovação e acompanhamento do processo educativo. Exigem também, a reorganização das práticas do trabalho escolar.É preciso incentivar e priorizar a pesquisa, associar teoria e prática, utilizar métodos educacionais adequado a nova realidade social e tecnológica.
2.1Comentário dos sites
Conforme as analisem coletadas dos sites http://www.cese.org.br/ podemos perceber que a temática abordada nos direciona as diferentes opiniões sendo que o Cese assume o compromisso de fortalecimento nas lutas em prol dos movimentos sociais que assegura uma sociedade justa e democrática. Partindo desta reflexão pode-se considerar que a infância é vista de forma complexa onde estão envolvidas com projetos, mas são submissas ao olhar do adulto.
Segundo (Sarmento, 2001, p.21), o reconhecimento do papel social da criança tem levado muitos adultos a abdicarem de assumir seu papel. Parece usar a concepção de “infância como sujeito” como desculpa para não estabelecer regras; não expressar seu ponto de vista, e não se posicionar.
De acordo com o site www.promenino.org.br, enfatiza o direito da criança e do adolescente garantindo por meio da disseminação da informação, tendo apoio de organizações e das sensibilizações da população em geral.
Tendo como valor conscientizar e responsabilizar o cidadão em relação ao direito da criança e do adolescente fortalecendo os autores do sistema da garantia de direitos para que desempenhem seu papel de forma mais eficaz e eficiente e utilizar as tecnologias da informação e comunicação (TICS) em prol da causa dos direitos da criança e do adolescente.
2.2 Comentário dos filmes
Os filmes analisados nos deixa claro que a infância é abordada com conflitos, superações das dificuldades do seu cotidiano além de tratar das questões pertinentes da educação e do social. E traz também como pano de fundo, sempre uma lição de vida.
Parecer do grupo
É natural que os professores conheçam os seus alunos aos poucos, principalmente no inicio do ano letivo, no qual diversas variáveis interferem nesse processo: Crianças advindas de outras escolas e cidades, expectativas altas sobre a adaptação da criança na série, além de tantas outras concepções que permeiam as relações escolares. No discurso de semanas meses, o professor vai percebendo que alguns de seus alunos progridem, mas que outros apresentam dificuldades e ficam para trás. Daí vem o questionamento: O que pode estar acontecendo? Será que esse aluno tem alguma dificuldade? Será que está acontecendo alguma mudança significativa em sua vida? Tantas perguntas ficam frequentemente sem respostas que o educador pode acabar fazendo alguma inferência ou rotulando o educando para encaixá-lo em algum diagnóstico, reduzindo, assim, a sua ansiedade, uma vez que o rótulo diminuiu a sua responsabilidade.
Diante de tais problemas, acreditamos que conhecer o aluno nas primeiras semanas do ano letivo é fundamental não só para a adaptação da criança no contexto escolar como também para que o educador saiba com quem e como vai trabalhar, delineando práticas e intervenções consistentes que venham ao encontro das necessidades individuais de cada um. Outro ponto que merece destaque é o de que conhecer o educando aproxima e transforma relações práticas e cotidianas em relações afetivas. Exercitar tal proposta, em toda sua dimensão, exige que o educador tenha muito bem construído o conceito de quem é esse educando; e, para isso, ele necessita entender muito bem o conceito de infância.
“Segundo Kramer (2006, p.13) enfatiza que a infância “é o período da história de cada reforça que o ser humano “é um ser histórico” e, consequentemente,” a infância proporciona a construção da história, a qual se faz individual e coletivamente”. “Quem já não ouviu um adulto dizer:” aproveite a sua infância, pois ela não volta nunca mais!”“?Sonhos, fantasias, brincadeiras, descompromisso com o tempo e com a responsabilidade imposta pelo mundo dos adultos. A ideia atual da infância, como significativa, prazerosa e permeada de ludicidade, é uma construção da sociedade moderna, pautada na nossa experiência e realidade. De acorde com Aries (1978, p.30), a ideia de infância moderna foi universalizada com base no padrão de crianças das classes médias a partir de critérios de idade e de dependência do adulto, característico de sua inserção no interior dessas classes. No entanto, conforme Kramer (2006, p.16) salienta a necessidade de considerar a diversidade de aspectos sociais, culturais e políticos para que tenhamos uma visão mais aprofundada sobre que é essa criança e, logo, sobre quem é o nosso educando.
Percebemos, portanto, que as crianças produzem cultura e são produzidas na cultura em que se inserem (em seu espaço) e que lhes é contemporânea (de seu tempo).Cabe perguntar: Será que nós, educadores, estamos sensíveis a essa produção cultura? Valorizamos as práticas de nossos educandos? Valorizamos suas experiências e suas histórias? Valorizamos seus gostos, suas expectativas e suas brincadeiras? Qual é o seu espaço dado pela escola para todas essas questões?
Sabe-se que práticas educativas significativas somente serão estruturadas a partir da realidade dos educandos e do que lhes é significativo. Dessa forma, os professores sabem o que dá sentido ao mundo de cada um de seus educandos? Sabem como eles produzem e constrói sua história? Uma vez que tal construção se processa na ação infantil-em que a criança atribui significados diversos ás coisas, fatos e artefatos através de suas vivencias e experiências -,é importante que é o professor perceba que a história individual de cada aluno só poderá ser contada por ele mesmo. É ele quem vai dizer do que gosta ou do que não gosta, o que lhe dá prazer, como costuma relacionar-se com os seus amigos e familiares. Sendo assim, partimos do princípio de que todas essas relações permeiam o processo educativo e, então, valorizamos a importância de que o professor conheça tais aspectos a fim de poder vim ao encontro das necessidades de seus educandos considerarem quais valores e princípios éticos quer transmitir na ação educativa. Outro ponto que merece destaque é que as crianças são cidadãs, pessoas detentoras de direitos e que constantemente agem no meio social em que estão inseridas. Quando vemos as crianças desse modo, fica mais fácil entende-las, e também se reforça a necessidade de que nós, adultos possamos vê o mundo a partir do seu ponto de vista, uma vez pertencem a uma classe social e não formam uma comunidade isolada- pelo contrario, são parte do grupo, e suas brincadeiras, costumes, valores e hábitos que expressam esse pertencimento e interferem em suas ações e nos significados que atribuem às pessoas, as coisas e as relações. Isso nos se sensibiliza mais uma vez para necessidade de lhes garantir o direito a condições digna de vida, a brincadeira, ao conhecimento, ao afeto e a interações saudáveis.
Restabelecer com as crianças esses laços de caráter afetivo, ético, social e político exige que nós educadores, possamos rever o papel que temos exercido nas instituições educativas. E isso somente será viabilizado por meio de reflexão sobre a história, as narrativas que as crianças fazem acerca de suas vivencias e experiências, o que não é muito comum na atualidade. Quero dizer com isso que não estamos mais acostumados a ouvir, e o diálogo tem se perdido cada vez mais nas relações cotidianas. Na correria do dia a dia e diante da necessidade constante de sobrevivência, vamos aos acostumando a dar contas das nossas individualidades, das nossas imediaticidades, em detrimento das interações sociais. As narrativas nos parecem uma perda de tempo; muitos se perguntam o que estão ganhando com isso. Falar do que vivem com quem convivem, o que assistem e o que enfrentam é resgatar a história pessoal de cada um, é valorizar velhos e atuais sentimentos como o de pertencer e ser importante a alguém; é fazer pensar sobre qual papel estamos dispostos a exercer neste mundo. “Portanto, esta é a grande pergunta para você, educador, que agora lê este relatório:” Qual papel quer exercer na vida de seus educandos? Deseja ser simplesmente um transmissor de conhecimentos e práticas sistematicamente elaboradas ou deseja fazer a diferença, envolver conhecimento e afeto, saberes e valores, cuidados e atenção na vida dessas crianças?
Se a sua resposta envolver o segundo item aqui relacionado, você terá que considerar que, muito mais do que ensinar, o seu papel será desenvolvido em torno do cuidado, da atenção e do acolhimento, da alegria e da brincadeira, do que os alunos gostam e do que é importante para cada um deles, garantindo que cada um seja atendido em suas necessidades, entendendo sempre que estamos trabalhando com crianças e não simplesmente com estudantes.
Dessa forma, é preciso entendê-los e, mais do que isso, é preciso conhecê-los em todas as suas dimensões-biológicas, afetivas, cognitivas ou sociais. Refletir sobre a criança, seu lugar e seu papel na sociedade hoje é condição fundamental para que se possa planejar o trabalho na escola, e, assim, implantar o currículo favorecendo, mais do que uma escola, uma vida digna.
Considerações finais
A educação atualmente necessita de novas inovações nas práticas pedagógica, pois vivemos numa sociedade dinâmica, competitiva, tecnológica, onde nada está pronto e acabado, mas sempre em processo de novas transformações. Os educandos exigem inovação. A sociedade nos obriga a dar conta a todas as demandas a outras concepções educacionais. Tudo é muito rápido e dinâmico, e, portanto, enfrentar novos desafios causa angústia aos professores, mas que não se deixam abater pelos novos desafios, pois tudo que é novo – e neste caso, não tão novo assim- causa ansiedade e medo, que poderá ser superado com estudos e reflexões, a fim de concretizar as ações relampejadas, repensadas e reformuladas.
Todos os dados coletados para realização deste relatório nos levaram a reflexões importantes, principalmente no que se refere ao fato de que a criança é um ser presente no mundo, e, por isso, não pode ser considerada com um ser passivo: Pelo contrário, necessita ser valorizada em cada fase de sua vida, assim como respeitada e compreendida em todo contexto histórico. Considerar a realidade social em que esta inserida é fundamental para que o educador perceba particularidades do seu educando, assim suas metas definindo pedagogicamente para que isso se concretize é necessário definir objetivos a fim de identificar qual a relação que as crianças estabelecem com seu mundo nos diferentes contextos, quais os significados que atribuem ás pessoas ás coisas, reconhecendo sempre o que é especifico da infância e, principalmente, da criança-seu poder de imaginação, de fantasia, de criação e de brincadeira entendida como experiência de cultura dando validade á afirmativa de que na infância a criança possui modos próprios de compreender o mundo e interagir com ele.
Diante de todos esses aspectos, é fundamental que o professor esteja sempre preparado para algumas reflexões na sua prática educativa sobre como realizar um espaço de diálogo das vivências da criança dentro e fora do contexto escolar, tornando a sala de aula um ambiente mais dinâmico. Outro ponto diz respeito á organização do tempo e dos espaços da escola, refletindo sobre o que tem sido privilegiado no cotidiano escolar, ou seja; quais temáticas estão presentes em sala de aula e quais estão sendo evitados e se estamos abertos a todos os interesses dos educandos com quem trabalhamos independentemente de sua faixa etária ou classe social.
Dada sua relevância, após os dados coletados o relatório foi escrito como proposta pedagógica de reflexão a pratica docentes sendo possíveis novas reformulações e complementações, uma vez que, assim com a criança, a escola é dinâmica e necessita passar por constantes processos de mudanças.
Diante de todos os aspectos composto neste relatório, é preciso entender que ver a criança pelo o que ela se apresenta no presente, sem se valer de estereótipos, ideias pré-concebidas ou práticas educativas que visam moldá-las em função de visões ideológicas rígidas de desenvolvimento e aprendizagem, é assegurar que a educação cumpra seu papel social diante da heterogeneidade das populações infantis e das contradições da sociedade.
Referências
BRASÍLIA: Ministério da Educação e do Desporto, SEED, 1998.112P.-(série de estudos. Educação a distância, ISSN, 1516-2079; v.3
ARIES, p.(1978). A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
KRAMER,s. (2006). A infância e sua singularidade. InBEAUCHAMP, j. Pagel, S.D. NASCIMENTO, A.R. (OGGS.). Ensino fundamental de nove anos: Orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília, DF: FNDE: Estação gráfica .1324p.
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OLá Garotas
ResponderExcluirO semestre chegou ao final. Parabéns pelo blog. Feliz Natal.
abs
Tereza