A forma de educação das classes populares traz como conscientização e participação politica a representação das ONGs brasileiras. Essas entidades têm entre seus objetivos a disseminação de tecnologia e comunicação de qualidade para as classes menos favoráveis.
Figueiredo (2003) situa nessa perspectiva, que as práticas e concepções de conhecimento-informação-comunicação das ONGS seguem um contexto pedagógico, cientifico e politico, em que conflitos entre falas e representações de sujeitos têm posições sócias, linguísticas, e cognitivas próprias. Isso porque a sociedade atribui pesos e valores diferenciados a esse sistema de representação, nota-se aí, um dilema comunicacional ou do entendimento linguístico entre as partes. Sendo assim, trata-se de uma questão politica que seus agentes buscam problematizar e traduzir em suas práticas.
As organizações não governamentais tem base de suas ações no pressuposto de que seu espaço de atuação corresponde, entre outros fatores, ao vazio criado por uma dupla omissão: do estado, no atendimento ás necessidades básica da população marginalizada, e dos meios acadêmicos. Produtores de conhecimentos técnicos científicos capazes de atender á sociedade com soluções técnicas (FIGUEIREDO, 2003).
As ONGs estabelecem, segundo Figueiredo (2003), seu espaço de atuação nesse vácuo criado pelo estado e pelas instâncias produtoras do conhecimento. A popularidade entre estado e povo (ou sociedade civil) é outro traço relacional importante para a conformação de seu espaço. Acrescenta que desde os anos 70 as ONGs buscam uma autonomia institucional que as diferenciassem dos partidos e das igrejas, isso foi através de uma gama de iniciativas dirigidas ás bases da sociedade, com os objetivos explícitos de toma-las mais independentes em relação ao estado.
O autor localiza nos meados dos anos 80 o fenômeno social que ele designa como as raízes nos “Centro de Educação Popular”, “Centro de Promoção Social”, “Centro de Associação”. Tais centros formam desde os anos 70, um conjunto de entidades e de agentes especializados, discursos e ações voltados para finalidades comuns ou semelhantes, com uma relação simbiótica com a igreja.
Quanto ao perfil sócio educacional desses agentes, todos, de modo geral, haviam passado pela universidade. E muitos continuavam a manter vínculos com o campo acadêmico. Entretanto, o autor chama atenção para o fato de que as concepções dominantes no universo das ONGs, em relação a universidade, referiam-se ao seu total distanciamento em relação ao movimento sociais .
Outro aspecto enfatizado por Figueiredo (2003) foi a participação dessas entidades nos eventos que antecederam a ECO/92 (conferenciais de dimensão planetária sobre meio ambiente). Esse movimento de legitimação “de fora pra dentro”, sob o impulso de sua participação nas conferencias promovidas pelas Nações Unidas.
Como pode visto, as ONGS desempenham um papel importante na democratização da informação, conhecimento e comunicação. A Democratização da Informação é uma questão que discute a ampliação do acesso tanto à recepção quanto à emissão de informação, a sua democratização e do conhecimento. A formação de leitores e a inserção cultural das populações nos mais diversos assuntos pretendem assim disponibilizar as novas tecnologias de informação e comunicação às comunidades e promover o processo de inclusão digital das populações, visando o alcance de seus objetivos.
OLIVEIRA, Jayr Figueiredo.T.I.C- Tecnologias de informação e da comunicação. São Paulo: Erica,2003, p.96.-101
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