De acordo com Alves (1999) a forma proposta de ver a maquina, admitida como produtora de subjetividades considera a relação homem-maquina como um campo de criação da cognição. Assim entendida, a cognição é uma prática investida, na qual o principal interesse não estaria centrado na resolução de problemas previamente colocados, mas na colocação de problemas.
Nesse caso, em face de uma dada situação, ou de um problema, não se trata propriamente de compreender, “pegar, agarrar com as mãos”, uma ação pressupõem um afastamento, certa distancias de algo que se propõem alcançar, admitindo-se que este algo já tenha de antemão existência subjetiva.
Como afirma (Deleuze, 1988, p. 218-219) de “entrar na espessura do problema”, ou seja, trata-se de problematizar-se com ele. Nesta perspectiva, apreender é, antes de qualquer outra coisa, constituir um problema e formar com ele um campo problemático (KASTRUP, 1997).
Segundo a autora a possível utilização de recursos informatizados na educação não deve apoiar-se no modelo cognitivista, não obstante a forte inclinação para a sua ampliação. Ao contrario, a própria natureza da interação usuário-maquina abordada por Alves (1999) sugere o deslocamento da ênfase do objeto - computador-para o projeto, visando ao ambiente cognitivo é á rede de relações humanas que se deseja instituir, o que pode ser facilitado pela consideração da cognição como uma prática inventiva, “E esta pratica inventiva entende, por sua vez, a ênfase do processo a coletividade: a construção do conhecimento passa a ser igualmente atribuída aos grupos que interagem no espaço do saber, algo próprio da inteligência coletiva - uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real e que resulta em uma mobilização efetiva das competências individuais” (LEVY, 1998, p.28).
O texto enfatiza a desejada mobilização efetiva de competências, entretanto, só pode realmente ocorre se determinados cuidados forem observados. Não se pode afirma que a simples introdução das chamadas tecnologias na escola provoca naturalmente modificações validas e proveitosas na organização educacional, no currículo e no trato das questões pedagógicas. Segundo Souza; Bastos; Angotti (2001 p.2).
Não se trata simplesmente de um modificar a estrutura administrativa e curricular da escola, informatizando o processo já existente, sem um entendimento mais apurado do que se deseja realmente mudar. Em tais situações muda-se usualmente apenas a forma, não a essência do processo, com a tecnologia simplesmente disfarçando os mecanismo tradicionais dando, a eles um certo ar de modernidade: passa-se, por exemplo, da “aula – copia e copiando” para a “aula – copia informatizada e copiada “, reforçando-se as relações de poder que permeiam a prática estabelecida.
Ao contrario, a introdução da tecnologia e de todas as suas novas vertentes devem ser provocadas, em suas origens, pela necessidade constatada de uma real mudança no processo educacional. Ou seja, a necessidade da mudança da reconstrução do processo educacional, deve ser a causa, não a consequência, da introdução dos recursos informatizados na escola. Uma vez constatada esta necessidade de mudanças, mobilizar profissionais da educação para o uso consciente e eficaz de novos recursos tecnológicos é um processo que necessita discursões reflexões e amadurecimento das ideias discutidas.
Texto : Educação e Informática: A Relação Homem/Máquina e a Questão da Cognição.
Autor : Jorge R.M Fróes.
http://edutec.net/Textos/Alia/PROINFO/prf_txtie04.htmi
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